Linhagem, hierarquia e pessoas que constroem o Grupo Kwanza.
O Grupo Kwanza nasce de uma trajetória construída ao longo de décadas de vivência na capoeira, marcada pelo compromisso com seus fundamentos culturais, educativos e humanos.
Sua linhagem se desenvolve a partir do convívio e aprendizado junto a grandes grupos e importantes mestres da capoeira brasileira, em um percurso que sempre valorizou a tradição, a hierarquia e a responsabilidade na formação de pessoas. Nesse caminho, a capoeira foi compreendida não apenas como prática corporal, mas como expressão cultural e filosofia de vida.
A escolha do nome “Kwanza” não foi por acaso. Ele carrega a força da ancestralidade banta e se sustenta em três pilares que definem nossa identidade:
O Início e a Renovação: Derivado do quimbundo kuanza, o nome representa o “primeiro fruto” e o ato de começar. Para nós, simboliza o nascimento de um novo ciclo e a colheita do conhecimento plantado através das gerações.
A Força do Fluxo: Inspirado no Rio Kwanza, o maior rio genuinamente angolano, refletimos em nossa prática a fluidez, a resiliência e a energia vital que conecta a África ao Brasil através do Atlântico.
A Soberania e o Valor: Assim como o kwanza é a moeda de troca e valor em Angola, nosso grupo preza pelo valor humano e pela riqueza cultural imaterial que a capoeira proporciona a cada aluno.
O grupo foi oficialmente fundado em 06 de abril de 2014, como resultado de um processo de amadurecimento e autonomia. Sua criação representou a necessidade de construir um espaço onde o conhecimento, a musicalidade e o trabalho formativo fossem valorizados de forma íntegra.
Desde então, o Grupo Kwanza atua como um espaço de formação contínua, preservando o respeito à ancestralidade e ao papel social da capoeira, sempre honrando a “primeira colheita” de cada aprendizado.

O Grupo Kwanza é conduzido por Paulo Ricardo de Souza, o Mestre Jaguara, mestre de capoeira com mais de cinco décadas de dedicação à arte. Seu primeiro contato com a capoeira ocorreu em 1975, em Olinda–PE, quando a força do jogo e a musicalidade despertaram um caminho marcado pela disciplina e pela busca constante por aprendizado.
Ao longo de sua formação, construiu sua base com mestres renomados como M. Marinheiro, M. Russo, M. Ditinho e M. Nestor, além de receber influências fundamentais de Mestre Zambi e Mestre Burguês. Sua trajetória contou ainda com a mentoria e a amizade de Mestre Leopoldina. Na Capoeira Angola, conviveu durante um tempo com o Mestre Gato Preto, sua principal referência nesse estilo. Conviveu também com Mestres Ananias e Joel, que, em diferentes momentos, contribuíram com apoio e aconselhamento em sua caminhada.
O reconhecimento como mestre ocorreu em 30 de julho de 1991. Na ocasião, assumiu o grupo Jogo de Guerreiro, do Mestre Ditinho. Movido pelo desejo de aprofundar seus fundamentos, buscou o conhecimento de Mestre Zambi (Grupo Filhos de Zambi), sob cuja orientação fortaleceu laços que o levaram a tornar-se seu discípulo. Para Mestre Jaguara, o título de mestre representa a responsabilidade profunda de formar pessoas e preservar valores.
A capoeira é compreendida como um modo de viver — uma prática que atravessa o corpo, a cultura e a vida cotidiana. Sua filosofia fundamenta-se no respeito ao próximo, na honestidade e na valorização das relações humanas.
Quer saber mais? Veja este documentário:












O Grupo Kwanza fundamenta sua atuação em princípios que orientam não apenas a prática da capoeira, mas a formação humana e social de seus integrantes.
A capoeira é compreendida como modo de viver, atravessando o corpo, a cultura e a vida cotidiana. Mais do que um jogo, é um espaço de aprendizado contínuo, disciplina, convivência e responsabilidade.
Entre os valores centrais do grupo estão:
Esses princípios orientam o trabalho do grupo no Brasil e no exterior, preservando a tradição da capoeira e, ao mesmo tempo, formando pessoas conscientes de seu papel na sociedade.